sábado, 28 de junho de 2008
ABORDAGEM SISTÊMICA
- Princípios da não -exclusão; com objetivo de interação.
- Princípio da diversidade, variar a atividade
Na abordagem sistêmica a preocupação é garantir a especificidade, já que a Educação Física ainda está ligada a corpo\movimento. Segundo Betti o alcance da especificidade se dá com a "interação e instrução do aluno de 1º e 2º grau no mundo da cultura física, produzir, reproduzir e transformar as formas culturais de atividade física (jogo, esporte dança, ginástica).
GRUPO: LUCIANA MELO, TIAGO ARRAIS, RENATO FREIRE E GUILHERME UMEMURA




ABORDAGEM - OS MOVIMENTOS RITMADOS NO FUTEBOL
(ELENOR KUNZ)
A presente abordagem retrata o assunto do ritmo inserido na aprendizagem do futebol pelo fato desta habilidade estar intimamente relacionada com a sincronização do jogo do esporte a ser trabalhado. Esta sincronia envolve desde os fundamentos básicos do futebol até o momento em que este será jogado.
O autor destaca que, por influência de determinados elementos (como a música, e principalmente o samba) no futebol brasileiro, muitos jogadores possuem habilidades rítmicas mais acentuadas que outros jogadores. Fato este comprovado pelas numerosas conquistas. E diz também que muitos times deixam de vencer pelo fato da perda da sincronia não só de um integrante da equipe, mas de todos.
O ritmo sentindo interiormente pela pessoa, a torna mais capaz de realizar movimento e habilidades com maior sincronia, ou facilidade, deixando então de fazer somente gestos unicamente técnicos.
Conclui que esta abordagem pode ser realizada por não só o futebol, mas vários outros tipos de esporte ou atividades. Podendo ainda servir como base para outros tipos de métodos de ensino do futebol.
PLANO DE AULA
Local:
- Quadra;
Material:
- Bolas diversas;
- Cones;
- Coletes;
- Um aparelho de som;
- Apitos;
- Um cronômetro.
1ª ATIVIDADE:
Aquecimento
Ritmo: musica.
Primeiro propor aos alunos que comecem andando, depois que realizar exercícios de aquecimento durante uma corrida. Após alongar. (10 min.)
2ª ATIVIDADE: (individual)
Embaixadinhas ( com os pés ou joelhos) - Ritmo do apito. (2 min.)
Cabeceio - Ritmo do apito. (2 min.)
Domínio da bola – ritmo da musica. (1 min.)
3ª ATIVIDADE: (em duplas)
Bater a bola contra a parede - ritmo das palmas do colega. (2 min.)
Trocar passes curtos com o colega – ritmo palmas do professor. (2 min.)
Domínio e passe da bola – ritmo do apito (2 min.)
4ª ATIVIDADE : (em grupos)
Formar um circulo e brincar de “bobinho”, sendo obrigado a passar a bola, ao ritmo do apito. (2 min.)
Em circulo (4) e ao ritmo do apito tentar manter a bola por mais tempo no ar, competindo entre os grupos. (2 min.) + (2 min.)
5ª ATIVIDADE:
Coletivo
Todos participam de um jogo coletivo nos primeiros 2 min. silencio total, depois jogo livre com musica de fundo. (5 min.)
Cecília Melo e Delaine Unes.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Esporte na Escola - TV ESCOLA

O vídeo mostra e exalta a importância do esporte. Esse além de deixar o corpo em forma, diminui as neuroses, alivia as tensões, melhora a sociabilidade, o equilíbrio, a saúde, enfim, “o esporte torna a vida muito mais legal pra quem o pratica”. E devemos destacar que esporte não é apenas o futebol, o vôlei, o handball, mas também o correr, a caminhada, as brincadeiras e a dança.
Na segunda parte do vídeo há um convidado especial, Marco frota. Ao perguntar para ele da importância da atividade física ele diz que o esporte está diretamente ligado com o prazer e a alegria de qualquer criança e que são fundamentais para o desenvolvimento delas. Fala também que o esporte trás um equilíbrio emocional importantíssimo para o entendimento de qualquer matéria e a escola deve investir nessa prática.
Em um terceiro momento o vídeo mostra uma brincadeira, desde a sua confecção até o brincar. Nessas brincadeiras o aluno estará trabalhando com seu corpo, desenvolvendo novas habilidades; com sua mente, criando e solucionando problemas; não esquecendo da parte social que essas brincadeiras podem trazer.
Então é isso que o vídeo quer mostrar, a importância do esporte, não somente como competição, mas suas diversas formas. Principalmente para desenvolver em todos os aspectos as crianças e todos que o pratica.
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Relatório do filme MACHUCA

O filme se passa em Santiago, no Chile, e gira em torno da história principalmente de duas crianças, Gonzalo Infante e Pedro Machuca. Gonzalo é um garoto rico, que vive numa área nobre e estuda em um colégio particular. Neste colégio existe um padre, McEnroe, que é americano e impõe uma educação muito rígida aos alunos. Este padre, com suas idéias e ações de caridade, ingressa neste colégio alunos vindos da periferia da cidade, de condições sociais muito precárias, com uma tentativa de fazer com que ambas as crianças aprendam a conviver com diferenças e respeito.
Pedro Machuca é um dos alunos que passa a freqüentar o colégio, e pertence então à turma onde Gonzalo Infante estuda. Os dois se conhecem e então começam a vivenciar uma amizade muito estranha no começo, mas que foi crescendo bastante, onde um começou a conhecer o mundo do outro, sendo que Gonzalo começou a vender bandeirinhas nos conflitos políticos, junto com Machuca, seu tio e uma prima. Os garotos trabalhavam muito, Machuca porque suas condições de vida eram estas e Gonzalo por passar a maior parte do tempo longe de casa, pois sua mãe era adultera e seu pai um socialista, que não davam muita importância a ele. Sua mãe mantinha relações com um homem mais velho, que tentava comprar Gonzalo com presentes. Então ele viu em Machuca uma atenção e amizade e faziam tudo juntos.
O Chile estava dividido entre partidários e socialistas, os conflitos eram cada vez maiores. Dentro da escola, os alunos ricos e pobres brigavam, entre si, e Gonzalo estava sempre para o lado dos mais pobres.
No desenrolar da história, as crianças, tanto Machuca, Gonzalo e a prima de Machuca (Manuela), vivenciavam um “triangulo amoroso”, fazendo brincadeiras e descobrindo o namoro regado a leite condensado. Enquanto isso os diferentes mundos eram descobertos pelos garotos, que moravam numa mesma cidade, não muito longe, mas que um não conhecia nada sobre a vida do outro.
Ocorreu o desencadeamento do golpe militar no país e as crianças horrorizavam com a violência, principalmente contra os pobres socialistas, nos bairros de favelas e até selecionando alunos dentro da escola, que foi tomada pelos militares. Gonzalo, que tinha sido um desonestamente julgado por Machuca e Manuela, vai desesperado até a casa deles para encontrá-los e depara-se com milhares de militares acabando com as pessoas sem sentido, só por serem socialistas. O conflito acaba na morte de Manuela, o que deixa os garotos atordoados.
O colégio torna-se totalmente militar, o padre é expulso e o país fica tomado pelos militares, em regime quase ditatorial, enquanto isso a mãe de Gonzalo vive ao lado do então amante e seu pai que era socialista, como a maioria deles estava exilado. As condições no país tornaram-se muito diferentes e aqueles que eram socialistas perderam total direito de liberdade, ou estavam mortos, exilados, ou sem direito de expressão.
domingo, 8 de junho de 2008
Futebol de Rua

Tradução livre para o português do sudeste: goleiras = traves
golo= gol
"Pelada é o futebol de campinho, de terreno baldio. Mas existe um tipo de futebol ainda mais rudimentar do que a pelada. É o futebol de rua. Perto do futebol de rua qualquer pelada é luxo e qualquer terreno baldio é o Maracanã em jogo noturno. Se você é homem, brasileiro e criado em cidade, sabe do que eu estou falando. Futebol de rua é tão humilde que chama pelada de senhora.Não sei se alguém, algum dia, por farra ou nostalgia, botou num papel as regras do futebol de rua. Elas seriam mais ou menos assim:
Luis Fernando Veríssimo
sexta-feira, 6 de junho de 2008
As chuteiras sem pátria
Quando chega um fax com barulhinho de cornetas celestiais, eu já sei: é carta do Nelson Rodrigues. Não deu outra. Nelson me pedia para publicar um texto sobre a Copa, já que está sem contato nas redações: “Eu sou do tempo do Pompeu de Souza, do Prudente de Morais Neto... Não conheço esses meninos da redação...” . Muito bem, aqui vai seu comentário sobre o sábado da desgraça:
“Amigos, a derrota é um grande momento de verdade. Só diante da vergonha é que entendemos nossa miséria. Num primeiro momento, queremos encontrar uma explicação para o fracasso, mas fracasso não se improvisa — é uma obra calculada, caprichada durante meses, anos até. Não adianta berrar no botequim que o Parreira é uma besta ou que o Ronaldo é um gordo perna-de-pau. Não. Nosso fracasso começou antes, porque esta seleção não foi a pátria de chuteiras, foram as chuteiras sem pátria.
Para nossos jogadores ricos e famosos, o Brasil é a vaga lembrança da infância pobre, humilhada. O país virou um passado para os plásticos negões falando alemão, francês, inglês, todos de brinco e com louras vertiginosas. Não são maus meninos, ingratos, não, mas neles está ausente a fome nacional, a ânsia dos vira-latas querendo a salvação. O povo todo estava de chuteiras, para esquecer os mensalões e os crimes, mas nossos craques não perderam quase nada com a derrota, tiveram apenas um mau momento entre milhões de dólares e chuteiras douradas pela Nike.
Isso me faz lembrar o grande Neném Prancha do Botafogo: ‘Temos de ir na bola como num prato de comida!...’ Que frase profunda, esquecida hoje... Nosso time come bem e nem os jogadores, nem os técnicos, nem os roupeiros e massagistas viram o óbvio, ali, uivando, ululando nos vestiários: o time estava sem conjunto, os jogadores estavam presos a um esquema tático que contrariava suas vocações. Só o povo berrava: ‘Ronaldo está gordo, Ronaldinho tem de atuar mais livre, os jovens têm de jogar mais!’. E quanto mais o óbvio se repetia, mais o Parreira se obstinava em sua lívida teimosia... Por quê? Porque o técnico é sempre contra a opinião geral. Em vez de orientar as vocações dos rapazes, ensinando-lhes a liberdade, a coragem e o improviso, o Parreira achou que todos têm de caber em sua estratégia. O pior cego é o surdo. E jogador brasileiro não gosta de lei nem de planejamentos, quer inventar sozinho. O técnico devia ser um reles treinador, quase um roupeiro, humilde diante dos craques. Mas o Parreira parecia um ‘Mussolini’ de capacete e penacho. Teve vários sinais de tirania: só dava a escalação no vestiário, com os jogadores desamparados, na insônia da dúvida da convocação, não teve coragem de barrar as estrelas, como se isso fosse uma afronta ao passado e às multinacionais. Ronaldo fez gols, tudo bem, mas foi uma âncora pesada desde o início, em torno do qual os problemas giraram. Parreira ficou com medo dos jovens, e eu via em seus rostos o desespero do banco. Robinho arfava de rancor e só entrava quando era tarde demais. Robinho foi o único que chorou no final, ainda menino e puro. Quem teve a mãe seqüestrada sabe o que é tragédia. E, para escândalo do país, Robinho ficou de castigo. Ao final de tudo, Parreira disse a frase suicida: ‘Não estávamos preparados para perder!...’ Isso é a morte súbita, isso é a guilhotina. Sem medo, ninguém ganha. Só o pavor ancestral cria uma tropa de javalis profissionais para a revanche, só o pânico nos faz rezar e vencer, só Deus explica as vitórias esmagadoras, pois nenhum time vence sem a medalhinha no pescoço e sem ave-marias. Mas Parreira ignorou a divindade e acreditou em si mesmo, com a torva vaidade de uma prima-dona gagá, com pelancas e varizes.
Isso é o óbvio, mas foi ignorado. E quando o obvio é desprezado, ficamos expostos ao sobrenatural, ao mistério do destino. Por exemplo, por que começamos o jogo como um corpo de bailarinos eufóricos e, 15 minutos depois, ficamos paralíticos como sapos diante de cascavéis, com o Zidane dando chapéus até no Ronaldo? Será que diante da Marselha sofremos um pavor reverencial? Em 98, Ronaldo caiu em convulsões de cachorro atropelado no vestiário. E agora? Creio que no sábado não estávamos com medo da França, não, o que tivemos foi medo de nós mesmos, voltou-nos o complexo de vira-latas, inibidos como vassalos diante do Luís XIV, de sapato alto e peruca empoada. Foi assim em 98 e agora. A França é muito chique para filhos do Capão Redondo e de Bento Ribeiro.
Mas todos sabem que quem ganha e perde as partidas é a alma. E a nossa estava dividida entre o match e a linha de passe, entre o show e a vitória. Houve o episódio da meia do Roberto Carlos, que, um segundo antes do gol da França, estava ajeitando a liga como uma madame Pompadour. Pelé notou o descuido frívolo e trágico, pois guerreiro furioso não conserta a roupa na batalha. Esse pequeno gesto revelou bastidores de equívocos fatais, teorias e teimosias.
Outra coisa que nos matou foi a torcida. Nunca houve uma torcida tão desesperada por uns minutos de paraíso, de brilho. Foi diferente de 1950. Lá, sonhávamos com um futuro para o país. Agora, tentávamos limpar nosso presente. Explico: há um ano, somos uma nação de humilhados e ofendidos, debaixo da chuva de mentiras políticas, violência e crimes sem punição. Descobrimos que o país é dominado por ladrões de galinha, por batedores de carteira e pelos traficantes. Por isso, a população queria que o scratch fizesse tudo que o Lula não fez. Mas era peso demais para os rapazes. A dez mil quilômetros, os jogadores ouviam os gemidos ansiosos das multidões de verde e amarelo, como uma asma patriótica. Não esperávamos uma vitória, mas uma salvação. Só a taça aplacaria nossa impotência diante da zona brasileira, a seleção era nossa única chance de felicidade. Queríamos a taça para berrar ao mundo e a nós mesmos: ‘Viram? Nós brasileiros somos maravilhosos!’
Mas não deu. É só.”
"Arnaldo Jabor"
NOSSOS DIAS MELHORES NUNCA VIRÃO?
As utopias liberais do século 20 diziam que teríamos mais ócio, mais paz com a tecnologia. Acontece que a tecnologia não está aí para distribuir sossego, mas para incrementar competição e produtividade, não só das empresas, mas a produtividade dos humanos, dos corpos. Tudo sugere velocidade, urgência, nossa vida está sempre aquém de alguma tarefa. A tecnologia nos enfiou uma lógica produtiva de fábricas, fábricas vivas, chips, pílulas para tudo.
Temos de funcionar, não de viver. Por que tudo tão rápido? Para chegar aonde? A este mundo ridículo que nos oferecem, para morrermos na busca da ilusão narcisista de que vivemos para gozar sem parar? Mas gozar como? Nossa vida é uma ejaculação precoce. Estamos todos gozando sem fruição, um gozo sem prazer, quantitativo. Antes, tínhamos passado e futuro; agora, tudo é um "enorme presente", na expressão de Norman Mailer. E este "enorme presente" é reproduzido com perfeição técnica cada vez maior, nos fazendo boiar num tempo parado, mas incessante, num futuro que "não pára de não chegar".
Antes, tínhamos os velhos filmes em preto-e-branco, fora de foco, as fotos amareladas, que nos davam a sensação de que o passado era precário e o futuro seria luminoso. Nada. Nunca estaremos no futuro. E, sem o sentido da passagem dos dias, da sucessibilidade de momentos, de começo e fim, ficamos também sem presente, vamos perdendo a noção de nosso desejo, que fica sem sossego, sem noite e sem dia. Estamos cada vez mais em trânsito, como carros, somos celulares, somos circuitos sem pausa, e cada vez mais nossa identidade vai sendo programada. O tempo é uma invenção da produção. Não há tempo para os bichos. Se quisermos manhã, dia e noite, temos de ir morar no mato.
Há alguns anos, eu vi um documentário chamado Tigrero, do cineasta finlandês Mika Kaurismaki e do Jim Jarmusch sobre um filme que o Samuel Fuller ia fazer no Brasil, em 1951. Ele veio, na época, e filmou uma aldeia de índios no interior do Mato Grosso. A produção não rolou e, em 92, Samuel Fuller, já com 83 anos, voltou à aldeia e exibiu para os índios o material colorido de 50 anos atrás. E também registrou, hoje, os índios vendo seu passado na tela. Eles nunca tinham visto um filme e o resultado é das coisas mais lindas e assustadoras que já vi.
Eu vi os índios descobrindo o tempo. Eles se viam crianças, viam seus mortos, ainda vivos e dançando. Seus rostos viam um milagre. A partir desse momento, eles passaram a ter passado e futuro. Foram incluídos num decorrer, num "devir" que não havia. Hoje, esses índios estão em trânsito entre algo que foram e algo que nunca serão. O tempo foi uma doença que passamos para eles, como a gripe. E pior: as imagens de 50 anos é que pareciam mostrar o "presente" verdadeiro deles. Eram mais naturais, mais selvagens, mais puros naquela época. Agora, de calção e sandália, pareciam estar numa espécie de "passado" daquele presente. Algo decaiu, piorou, algo involuiu neles.
Lembrando disso, outro dia, fui atrás de velhos filmes de 8mm que meu pai rodou há 50 anos também. Queria ver o meu passado, ver se havia ali alguma chave que explicasse meu presente hoje, que prenunciasse minha identidade ou denunciasse algo que perdi, ou que o Brasil perdeu... Em meio às imagens trêmulas, riscadas, fora de foco, vi a precariedade de minha pobre família de classe média, tentando exibir uma felicidade familiar que até existia, mas precária, constrangida; e eu ali, menino comprido feito um bambu no vento, já denotando a insegurança que até hoje me alarma. Minha crise de identidade já estava traçada. E não eram imagens de um passado bom que decaiu, como entre os índios. Era um presente atrasado, aquém de si mesmo. A mesma impressão tive ao ver o filme famoso de Orson Welles, It's All True, em que ele mostra o carnaval carioca de 1942 - únicas imagens em cores do País nessa década. Pois bem, dava para ver, nos corpinhos dançantes do carnaval sem som, uma medíocre animação carioca, com pobres baianinhas em tímidos meneios, galãs fraquinhos imitando Clark Gable, uma falta de saúde no ar, uma fragilidade indefesa e ignorante daquele povinho iludido pelos burocratas da capital. Dava para ver ali que, como no filme de minha família, estavam aquém do presente deles, que já faltava muito naquele passado.
Vendo filmes americanos dos anos 40, não sentimos falta de nada. Com suas geladeiras brancas e telefones pretos, tudo já funcionava como hoje. O "hoje" deles é apenas uma decorrência contínua daqueles anos. Mudaram as formas, o corte das roupas, mas eles, no passado, estavam à altura de sua época. A Depressão econômica tinha passado, como um grande trauma, e não aparecia como o nosso subdesenvolvimento endêmico. Para os americanos, o passado estava de acordo com sua época. Em 42, éramos carentes de alguma coisa que não percebíamos. Olhando nosso passado é que vemos como somos atrasados no presente. Nos filmes brasileiros antigos, parece que todos morreram sem conhecer seus melhores dias.
E nós, hoje, nesta infernal transição entre o atraso e uma modernização que não chega nunca? Quando o Brasil vai crescer? Quando cairão afinal os "juros" da vida? Chego a ter inveja das multidões pobres do Islã: aboliram o tempo e vivem na eternidade de seu atraso. Aqui, sem futuro, vivemos nessa ansiedade individualista medíocre, nesse narcisismo brega que nos assola na moda, no amor, no sexo, nessa fome de aparecer para existir. Nosso atraso cria a utopia de que, um dia, chegaremos a algo definitivo. Mas, ser subdesenvolvido não é "não ter futuro"; é nunca estar no presente.
"Arnaldo Jabor"
"Pelé Eterno" me trouxe a infância de volta
Eu não entendo de futebol. Onde eu morava, na Urca, comprido como uma cegonha triste (que aliás era meu apelido), havia vários times de praia, com belas camisas coloridas. Eu era fanático pelo Ipiranga, de uniforme verde e vermelho, que eu almejava ostentar um dia, de preferência se Silvinha, moreninha de olhos verdes estivesse na amurada me vendo driblar adversários, dando-lhes “chapéus” sucessivos e entrando triunfalmente pelo gol do “La Vai Bola”, temido time do Leme. Mas, faltava-me agressividade, faltava-me a virilidade dos garotos da rua, duros e secos, porradeiros e xingadores, faltava-me a natural destreza das panturrilhas musculosas. Por isso, eu era o eterno aspirante a uma vaga, rondando as convocações do time, quando as camisas eram distribuídas pelo capitão. Em uma tarde de domingo, faltou o ponta esquerda titular do Ipiranga, que ficara de castigo em casa por ter espirrado, de sua varanda, tintas de caneta Parker na cabeça dos passantes. Eu me acendi de esperança. O capitão do time, o temido Acreano, me examinou de longe com as camisas na mão. Meio contrafeito, como quem faz um favor, atirou-me a almejada camiseta. Vesti-a com o coração aos pulos, sentindo que uma vida nova começava, espiando pelo canto do olho as meninas já sentadas na amurada, Silvinha entre elas, em cochichos e risos com suas blusinhas de “ban-lon” e saias plissadas. Desfilei por ali, sem olhá-las diretamente, com a naturalidade de um profissional, chegando mesmo a tentar uma discreta embaixadinha.
O juiz já estava de apito na boca, e era o famoso Mario Viana, que morava ali na orla e, às vezes, brincava de apitar jogos de garotos, como aquele, entre o Ipiranga e o Arsenal, com suas listas azuis e douradas. Eu, de mãos na cintura e tornozeleira, firmava um olho na bola e o outro em Silvinha, concentrando energia para dar o melhor de mim e sair da condição de “babaca”, classe onde eu vivia, para entrar na categoria dos fortes, dos brutos.
Foi aí que minha vida começou a mudar. O juiz ia apitar quando se ouviu um alarido de “pára, pára”, cobrindo a chegada esbaforida de Porcolino, o festejado ponta-esquerda do Ipiranga, que fugira de casa e corria para sua posição de titular. Em um segundo, o capitão Acreano tirou-me a camisa e entregou-a a Porcolino, famoso por um raro gol-de-bicicleta que fizera contra um time visitante.
Parecia que me tiravam a pele, quando arranquei a camisa verde e rubra; sentia-me nu e arrojado de volta a classe dos “otários”, fugindo do olhar de Silvinha que, certamente, me fitava com desprezo, enquanto eu corria para o mar, onde saí nadando para esconder, na água salgada, o choro da vergonha.
Daí para frente, foram humilhações sucessivas no futebol. Nunca integrei o primeiro time de nada no colégio de padres, nunca recebi uma taça, nunca arranquei poeira do chão com chuteiras masculinas e ferozes que rangiam em disputadas partidas, nunca conheci a alegria dos aplausos suados, descabelados, nas manhãs azuis dos padres jesuítas.
Nessa época, meu avô me levava ao Maracanã, ele, fantástico malandro carioca que era amigo de Danilo do Vasco, que morava na mesma rua do Méier. O estádio ainda era novo e tinha muitos “amistosos”. Creio que foi durante um jogo entre o Portsmouth inglês e uma seleção nacional que tive meu contato com o terror. Até hoje sinto o arrepio, quando vi que meu destino de perna de pau estava traçado, não só no futebol mas talvez na vida, pois percebi com pânico que, enquanto todo mundo na arquibancada olhava o jogo, eu olhava os torcedores olhando o jogo. Percebi que estava vendo suas reações, seus gritos e palavrões, seus olhos e bocas desdentadas atentíssimas ao campo, enquanto eu os observava de fora, como se fosse de outro planeta. (Os negros eram mais negros na época e quase ninguém tinha dente). Essa sensação de estar “fora” sempre me acompanhou pela vida. Nessa época, como um mecanismo de defesa, passei a ostentar uma indiferença superior ao esporte, o que me cortava a emoção que eu invejava nos torcedores.
Até que um dia, meu avô me levou para ver Vasco x Bangu, um clássico da época. Foi então que tive uma visão mágica e salvadora. No meio do jogo, de repente, um jogador mulato de camisa listrada de vermelho e branco arrancou numa corrida extraordinária, driblou vários “jogões”, deu “chapéus” nos “half-backs”, executando um balé de volteios ferozes e sutis como um cossaco dançante, levou a bola colada no pé, como um cachorrinho dócil e colocou-a no canto da trave, sob o olhar abobalhado do goleiro. Nesse instante, fui tomado por uma funda emoção e entendi o que era arte. Não só do futebol – mas, arte mesmo. Gritavam todos: “Zizinho, Zizinho!!!”... Eu tinha sentido a beleza de uma obra feita de ar, movimento, engano e dança, feita de fúria e delicadeza, de velocidade e lentidão. Por segundos, Zizinho me fez esquecer de mim mesmo e lembro com grande saudade que, por alguns segundos, eu fui como todo mundo, igual, perdido na massa pobre do tempo, sentindo a alegria da normalidade, sem medo, sem tremor, antes que a minha solidão melancólica viesse se reinstalar.
Muitos anos depois, eu assisti a uma entrevista de Pelé, onde ele declarou : “Nunca vi ninguém jogar tão bem quanto Zizinho!”.
Nesse instante, Pelé se ligou a mim naquela tarde remota do Maracanã. Ele também vira o gênio. Eu me senti remido por Pelé, que é da minha idade. A partir daí, acompanho sua genialidade na vida e no campo. Ontem, fui ver o extraordinário filme de Aníbal Massaini – “Pelé Eterno” - e senti a mesma coisa da infânncia, ao lado de meu avô, no Maracanã: esqueci-me de mim. Estava de novo diante da beleza que vi em Zizinho. Não estava assistindo a um jogador apenas. A sensação é o mesmo êxtase de se ver uma exposição de Picasso ou, sei lá, Shakespeare. Pelé não é apenas um atleta, é um escultor do ar, um grande poeta de gestos e músculos. Ele não busca o gol apenas, busca a felicidade da beleza. Ele viveu a vitória total e consola milhões de fracassados como eu, de quem tiraram a camisa verde-e-rubra do Ipiranga em minha trêmula infância de praia.
"Arnaldo Jabor"
por Efrain Maciel e Silva, em 14 Jul 2006, 21:47
Esqueça uniforme, freqüência ou "veia" de campeão. Para levar os alunos a conhecer o próprio corpo, o melhor caminho é diagnóstico prévio e análise constante Fotos Sergio Sade Na Educação Física a avaliação é a chance de verificar se o aluno aprendeu a conhecer o próprio corpo e a valorizar a atividade física como fator de qualidade de vida. Portanto, nada de considerar apenas a freqüência às aulas, o uniforme ou a participação em jogos e competições — nem comparar os que têm "veia" de campeão com os que não têm. Não há uma única fórmula pronta para avaliar, mas é essencial detectar as dificuldades e os progressos dos estudantes. "O mais indicado é não utilizar um só padrão para todos, mas fazer um diagnóstico inicial para poder acompanhar o desenvolvimento de cada um", resume Alexandre Moraes de Mello, diretor da Escola de Educação Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em fichas, a evolução Cleverson da Silva, professor do Colégio Estadual Núcleo Social Yvone Pimentel, em Curitiba, sempre verifica a condição física de seus alunos. No começo de 2002 ele notou que Karoline Pialecki, da 6ª série, tinha pouca flexibilidade para a idade e as condições físicas. Silva deu alongamentos em todas as aulas e, em agosto, repetiu o teste (fotos ao lado). A menina tinha evoluído 11 pontos. "Hoje o passatempo dela e das amigas é fazer exercícios na hora do intervalo", diz. Para perceber os avanços de cada aluno, Silva criou fichas em que anota a evolução aula por aula. Outros instrumentos muito úteis são relatórios, dinâmicas, redações e auto-avaliações.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Aula ideal de Educação Física

Certa vez um professor de Educação Física encontrou um menino muito esperto e inteligente e perguntou como ele acreditava que deveria ser uma aula de Educação Física para que ele se sentisse realmente feliz. Este menino pensou um pouco, pois era uma criança brilhante e disse que uma AULA IDEAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA deveria:
01. Ser num local apropriado, limpo, espaçoso, preferencialmente que a natureza estivesse por perto;
02. Ser atrativa, motivante, interessante, sociabilizadora, cativante, saudável, organizada, com um ambiente harmônico;
03. Estar composta com muita dança, recreação, jogos, enfim que enfocasse a ludicidade;
04. Estar repleta de coisas que, muitas vezes, eu não tenho em casa e sinto muita falta: alegria, espírito crítico, oportunidade de falar, afeto, educação, conforto, segurança, paz, diálogo, disciplina, respeito mútuo, paz;
05. Ter competição para que eu possa aprender perder e ganhar, possa descobri meus limites e testar minha força de vontade, que eu possa me descobrir mais;
06. Permitir aprender comigo mesmo, com o professor e meus colegas, que desperte minha curiosidade e criatividade;
07. Ensinar, reforçar e zelar pelos princípios da moral, da ética e dos bons costumes;
08. Não me deixar sentir discriminado e que eu tivesse no professor alguém que possa confiar, que fique contente com meus progressos, alguém amigo;
09. Valorizar o respeito a si e ao semelhante, o companheirismo e a amizade.
10. Não permitir que “pulasse” etapas do meu desenvolvimento (estimulação precoce);
11. Favorecer a descoberta minha mente e meu corpo (minhas capacidades) e dominá-los;
12. Permitir que eu adquira o gosto pela Atividade Física, pelo Exercício Físico e pelos Esportes;
13. Ser um lugar onde eu seja elogiado sempre que faça ou tente fazer as coisas certas;
14. Ser cheia de novidades, de desafios, de conhecimentos científicos e teóricos ligadas a prática que estou realizando;
15. Ter ensinamentos úteis para minha vida;
16. Ser agradável, desafiadora, prazerosa, divertida e que permita meu crescimento como Ser Humano;
O pequeno e exigente menino ainda concluiu: “Eu acredito que a aula ideal ainda está por vir, pois é na constante busca de uma aula que seja a melhor que você vai tornar todas elas ideiais!”.
Este mesmo Professor, estava num dia de sorte fora do comum e teve a oportunidade de poder encontrar um sábio ou grande mestre que lhe deu alguns conselhos de como poderia ser bem sucedido e feliz com a profissão que escolheu. Ele listou este itens abaixo:
01.Não improvise, vá sempre preparado em todas suas aulas, lembrando que aquela aula é um parte importante de uma “construção” maior. A aula deve ser uma novidade, uma surpresa para o aluno, não para o professor, planeje suas aulas;
02.Proporcione um ambiente propício para o aprendizado. Estimule a manutenção e prática dos exercícios físicos regulares, na dosagem adequada, para a Saúde do Ser Humano. Informe sobre os benefícios do Exercícios Físicos;
03.Seja audacioso, não tenha medo de inovar;
04.Crie uma atmosfera harmoniosa, tranqüila para trabalhar, assim os alunos sentirão este ambiente acolhedor;
05.Tenha muito cuidado e responsabilidade no que diz e no que faz. Muitos alunos se espelham no professor. A palavra dita tem muito poder e pode transformar a vida de um indivíduo, fazendo-o tornar-se um derrotado ou uma pessoa realizada. Seja sincero e honesto. Seja um modelo de cidadão e de Ser Humano;
06.Procure se exercitar, falar e fazer mostrará que você é coerente, além de lhe fazer bem à saúde. Encontre tempo para investir em você;
07.Seja um pesquisador no seu campo profissional, para melhor entendimento da realidade. Atualize-se constantemente, veja as coisas corriqueiras sob outra ótica, isto evitará a rotina e a acomodação;
08.Tenha a convicção de que sua função profissional é promover o desenvolvimento bio-psico-fisiológico e social do aluno;
09.Buscar contribuir para a formação de cidadãos modelos, educados, críticos, conscientes e com objetivo na vida. Acredite naquilo que faz;
10.Sempre termine uma aula dizendo: “fiz o melhor que pude”;
11.Seja organizado e disciplinado no horário;
12.Trabalhe com os olhos no amanhã, para que o que faz no presente, crie um futuro melhor para seus alunos; Esteja sempre aberto a novos aprendizados. Possua uma ampla concepção de mundo para além da especificada da sua profissão;
13.Crie objetivos para os grupos com os quais trabalha, coloque suas forças em prol de atingí-los;
14.Saiba ser crítico, há momentos para calar e momentos essenciais para expressar suas idéias;
15.Faça da sua profissão uma forma de se auto-realizar. Dê o melhor de si, ensine “tudo” que sabe. Amor é a palavra-chave;
16.Respeite seu aluno assim como deveria respeitar a si mesmo;
17.Tenha competência técnica (saber fazer) com compromisso político (a favor de quem está fazendo, qual a intencionalidade da ação);
18.Não seja um professor repassador de conteúdos, seja um educador comprometido com a categoria e consciente da legislação que a rege;
19.Seja coerente com o que prega, consciente de que é um modelo.
20.Veja cada aula como uma oportunidade de mostrar suas qualidades, seus dons, e a força que ganhou de Deus. Não veja como uma obrigação. Seu trabalho foi algo que você escolheu, tem que proporcionar-lhe prazer.
Finalizando o mestre, muito sábio, disse: comece a trabalhar com a tranqüilidade de alguém que vai contribuir para a Educação e de alguém que aprende a todo momento, porque cada grupo, ou simples indivíduo que você ministrar aulas fará você completar uma lista com recomendações muito maior que estas.
“Quando vejo uma criança ela me inspira dosi sentimentos: ternura pelo que ela é, e respeito pelo que poderá ser.” Piaget
Trabalho realizado pelos acadêmicos de Tênis de Campo no Curso de Educação Física das Faculdades Integradas Católicas de Palmas, com auxílio de alguns professores e a coordenação do professor Aluísio –MAI/2004
Aluísio Menin Mendes
Os custos da obesidade nos negócios
Seja considerada uma epidemia ou não, a taxa de obesidade nos Estados Unidos disparou nas última décadas. Esses quilos extras podem ser tão prejudiciais para as contas de um empregador quanto são para a cintura e a saúde das pessoas.
Na última década, o peso extra que os americanos estão carregando tem um enorme peso nas companhias aéreas. Segundo um estudo do Jornal Americano de Medicina Preventiva, o aumento no peso médio dos passageiros fez com que as companhias aéreas tenham usado cerca de 1, 2 bilhão de litros de combustível extra, ao custo de US$ 275milhões por ano – e isso baseado nos preços em 2.000, que mais que dobraram até 2007.
Ano passado, um estudo do Centro Médico da Universidade de Duke com mais de 11.000 funcionários da universidade, mostrou que os trabalhadores obesos tiveram o dobro de pedidos de compensação por problemas de saúde, tiveram custos médicos sete vezes maiores, e perderam 13 vezes mais dias de trabalho por doença que os outros trabalhadores. A análise, publicada nos Arquivos de Medicina Interna, cobriu um diverso grupo de funcionários, tais como administrativos, de manutenção, enfermeiras e professores.
Fonte: IHRSA Healthcare Report/blog do Tadeu